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  <title>No Céu da Boca</title>
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  <description>No Céu da Boca - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Fri, 10 Jun 2011 13:54:51 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Fri, 10 Jun 2011 13:54:01 GMT</pubDate>
  <title>Recreio do colégio all over again</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;Às vezes tenho tantas saudades tuas que me sinto como se tivesse levado com uma bola de basket no nariz.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 23 May 2011 23:19:09 GMT</pubDate>
  <title>Composição: &quot;As Minhas Férias Grandes Na China&quot;</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/sromana/fotos/?uid=2Zk6TJwaBfnVf5eSE2Hi&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0px;&quot; src=&quot;http://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B31069ffd/8532729_knk3w.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;500&quot; height=&quot;375&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estas férias eu fui à China, que é um país que fica muito longe e tem muitas pessoas que andam todas aos encontrões na rua e assim. Havia muitas bandeiras na rua e muitas estátuas e imagens de um senhor rechonchudo chamado Mao Tse Tung, que eu acho que é o apresentador lá do “Preço Certo Em Renmibis”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Primeiro fui a Hong Kong, onde há prédios muito feios, prédios muito bonitos e bocados de selva. Há muitos centros comerciais para fazer compras e templos para dar laranjas a estátuas douradas. O tempo lá é muito húmido, por isso fiquei com o cabelo parecido com o do Michael Bolton e fiquei com medo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas ainda quando estava em Hong Kong, acordei um dia igual ao Meat Loaf, o que de início me meteu ainda mais medo. Mas depois lembrei-me que o Meat Loaf entra no “Fight Club”, que é um filme do qual eu gosto muito onde há dois meninos que afinal são só um e andam sempre ao sopapo. É muito giro. Fui ao hospital, onde um senhor que falava um bocadinho de inglês me disse que eu tinha um abcesso. Foram muito simpáticos, apesar de me chamarem sempre Susana Rita. No final, ofereceram-me os medicamentos no hospital e depois o meu pai disse que os comprimidos às cores tinham sido uma prenda porque a China é comunista. Fiquei com medo, porque não quero comer crianças ao pequeno almoço. A não ser que saibam a Chocapic.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também fui a Macau, que dantes era Portugal porque o Salazar queria. Há pasteis de nata em todo o lado, mas sabem a pudim e não são assim muito bons. Há muitos casinos e casas de penhores para pagar os casinos. As coisas estão traduzidas em português, mas ninguém fala português e quando querem gritar com os ocidentais, gritam em chinês. É muito giro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois fui para Xangai, que tem muitas luzes e parece que é sempre Natal, mas em quentinho. Tem prédios muito grandes e muito giros e um rio e jardins. As discotecas parecem as dos filmes e há muitas meninas a dar beijinhos noutras meninas e taças de melancia para acompanhar o whisky. Não há assim muitas coisas antigas em Xangai, porque deitaram fora por causa da Revolução Cultural. Eu acho que é por isso que em Portugal querem acabar com o Ministério da Cultura.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois apanhei comboio para Pequim. A viagem dura a noite toda, por isso dormimos numa caminha muito gira. Não tomei banho nem nada, foi espectacular. Eu gostei muito de Pequim, é a minha cidade chinesa preferida. Comi o pato deles e gostei ainda mais do que de bife com batatas fritas. Mas ao jantar comi insectos fritos e já não gostei assim muito e vomitei e tudo. Em Pequim há a Cidade Proibida e a Praça de Tianamen. Também vi um espectáculo de acrobacia chinesa, onde as pessoas faziam coisas muito difíceis, como andar de bicicleta e assim. Eu não sei andar de bicicleta, por isso fiquei muito espantada. Havia outro truque com guarda-chuvas. Esse não gostei tanto, porque sei usar guarda-chuvas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A Grande Muralha da China é de facto muito grande, mas dá para descer de escorrega. É muito divertido, porque quase morrer é sempre muito divertido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu gostei muito das minhas férias na China. E quero muito voltar. Não quero é ter jet lag, está bem?&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 26 Apr 2011 13:40:14 GMT</pubDate>
  <title>Dia de Acção de Graças</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;Fui criada numa casa onde o roupeiro do quarto dos meus pais era revestido a autocolantes do Che Guevara e da Maria de Lurdes Pintansilgo. Onde o meu pai me deitou fora uns ténis cor-de-laranja porque filha sua &quot;não anda com coisas da cor do PSD&quot;. Onde já adolescente encontrei um pin da &lt;a href=&quot;http://pt.wikipedia.org/wiki/LUAR&quot;&gt;LUAR&lt;/a&gt; que ninguém me quis bem explicar bem de onde vinha. Hoje sou eu que passo sempre o 25 de Abril na Avenida, apesar de o meu pai ter antes abraçado que neste dia a Primavera já vai alta que chegue para se ir para a praia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O 25/4 sempre foi importante para mim, mas há dois anos atrás passou a ser mais. Será piroso dizer que tive uma &quot;revolução interior&quot;, mas é verdade que assim foi. É uma pirosice com a qual convivo bem: afinal, não haveria dia melhor no calendário para me sentir grata. Obrigada aos meus capitães, venham eles de onde for.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 19 Apr 2011 14:48:30 GMT</pubDate>
  <title>E, na Páscoa, uma Ressurreição do Céu</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;Não há polegar tonificado por anos de prática de zapping que me faça escapar desta sina: é impossível passar por um canal de notícias sem esbarrar com um repórter em directo da porta do Ministério das Finanças. Reza a lenda pascal que lá dentro decorre uma última ceia na qual o FMI ditará de vez que devia ter levado mais a sério aquela altura em que pensei participar na lotaria do american green card.  Mas esta imposição jornalística de eu ter de levar com as paredes amarelas do Terreiro do Paço quarto-de-hora-sim/quarto-de-hora-não chega numa altura que a carrega de ironia. É que todos nós vemos as reportagens e pensamos “já nos andam a foder” – mas eu posso olhar para as colunas do Terreiro e acrescentar “eu já fui fodida ali”. Se isto não é poético, entrego já a minha alma ao FEEF sem passar pela casa da partida.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 12 Nov 2010 01:41:44 GMT</pubDate>
  <title>João.</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Z1Q4Zbayj6QIUz2fiSJp&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bd4055aa1/7512701_zJ3PQ.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;375&quot; height=&quot;500&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;em&gt;&lt;a href=&quot;http://irmaolucia.blogs.sapo.pt&quot;&gt;(ilustração fabulosa do Irmão Lúcia)&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“Não gosto nada do Verão.”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Achei a observação estranha porque tínhamos acabado de sair de um Inverno particularmente rigoroso. Para quem passava horas na rua, com o frio da noite a mastigar ossos e articulações, o fim da chuva e do vento devia ser um alívio. “Mas Lisboa fica tão vazia. E depois eu digo adeus a quem?”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O João não gostava de ficar cá sozinho. Mas também nunca partia. Falava constantemente das suas viagens, mas sempre no passado. Não havia quase país onde eu pudesse comentar que ia de férias no qual ele já não tive estado. Viajou sempre muito com a mãe, “uma das primeiras mulheres em Portugal a conduzir”. Foram de carro até Marrocos e de transiberiano até à Rússia.  Sentia umas saudades dela que eram tão palpáveis que se sentavam à mesa connosco. Foi a sua morte que precipitou o “adeus” que afinal sempre foi um “olá”. Foi uma mulher que lhe deixou um vazio tão grande que era precisa uma cidade inteira para o preencher.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Conheci o João pelo Filipe, provavelmente o seu melhor amigo apesar da diferença de quase 50 anos entre ambos. Quando ele me disse que ia ao cinema todos os Domingos com o Senhor Do Adeus, quis logo juntar-me. Era figura pela qual tinha respeito e carinho mas, admito, achava bizarra. Chapada de luva branca: acabou por se revelar uma das pessoas mais sãs e bem resolvidas que alguma vez conheci. Uma lição que vou carregar com gosto pela vida fora.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fazia sempre questão de tratar toda a gente que aparecia para o cinema domingueiro pelo nome. Em certas noites fomos muitos, mas sempre fez o esforço. “É Sandra?”. Susana, João. “Ai, desculpe lá. Esta cabeça já não dá para tudo. Susana. Eu vou lembrar-me”. Aquele engano incomodava-o mil vezes mais a ele do que a mim. Era um gentleman. E o certo é que acabou por se lembrar quase  sempre.  Generoso, conversador, acessível, o  Senhor do Adeus nem nunca foi Senhor João. Foi só João, mesmo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Andava religiosamente com um saco de plástico, onde trazia as compras do dia do supermercado. Nunca vi ao certo o que lá estava dentro. Agora que penso nisso, nunca o vi comer. Era como se o João fosse um super herói de livros aos quadradinhos: sem nunca perder tempo como as necessidades do comum dos mortais, sempre com a mesma roupa e com um sentido de missão. Uma vez convidámo-lo para ir a uma peça de teatro. Mas era à tarde. “Ah, gostava imenso. Mas a essa hora estou a pegar no Restelo”. Aquilo que fazia era para levar a sério. Mas não tão a sério que um dia não me tenha perguntado, entre risos: “Onde é que eu devia abrir um franchising dos meus adeus: em Madrid ou em Barcelona?”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na última noite em que o vi, há duas ou três semanas, fazia 79 anos. Fomos os primeiros a chegar ao cinema e demorou cerca de duas frases a deixar escapar, como quem não quer a coisa, “hoje é o meu aniversário”. Mesmo à miúdo. O João era saudavelmente puto em muitas coisas, um menino da mamã que nunca cresceu verdadeiramente. Dizia sempre que não sentia a idade que tinha. Comentei que quando fizesse 80 anos devíamos juntar os amigos todos dele numa sala de cinema. Riu-se e disse que gostava. Não veio com aquele discurso típico de velho de “ui, para o ano sei lá se estou cá”. Porque o João não era velho. E preferiu passar o serão do seu aniversário a ver um filme de terror connosco do que a jantar com a família. “Pedi-lhes antes para ser almoço”. E eles perceberam? Encolheu os ombros. Os irmãos nunca perceberam muita coisa sobre as opções de vida dele. “Eles são mais velhos do que eu”, dizia várias vezes sobre os seus familiares que o calendário insistia em dizer que eram mais novos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nos últimos meses, falou-me com orgulho de como tinha sido entrevistado por uma revista de Milão, por um canal de TV espanhol ou mencionado num roteiro de Lisboa (vou sempre recordar como ficou triste por a Time Out Lisboa o ter entrevistado para um número sobre “cromos” da cidade. Não gostava nada de ser chamado de cromo.). “É viajar sem sair daqui, sabe?”. Quando lhe disse que ia para Itália em Agosto, mostrou-me o livro que andava a ler: um guia velho, amarelo e desactualizado de Florença. Porque gostava muito de arte e porque era novo esforço para partir sem deixar as pedras da calçada alfacinha.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Também estava muito orgulhoso por terem feito duas músicas sobre ela. Uma, um fado, chama-se “O Homem do Saldanha”. Mas agora já nunca ia para o Saldanha que o tornou famoso, por “já não ter tanta gente”. Preferia o Príncipe Real, cheio de “malta nova a ir e vir do Bairro Alto”. E agora o que é que dizemos ao senhor do fado, João? “Olhe, ele que faça mais uma música”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O tal franshising espanhol: discordámos, como discordámos tantas vezes sobre filmes. Eu escolhi Barcelona, o João preferia Madrid. Mas era tudo uma piada, um saudável faz-de-conta, porque o João nunca ia sair de Lisboa. Nisso não discordávamos: é uma cidade mágica. Quantos mais viajo, mais o sei. E não é só por causa das colinas e da luz e do rio-quase-mar: é porque Barcelona ou Madrid nunca vão ter um João.  São as pessoas únicas que fazem as cidades únicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 03 Oct 2010 19:29:27 GMT</pubDate>
  <title>True #2</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Onko3h1b3v1F3EbUPM8B&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/ba6056b45/7269165_Hm8oj.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 03 Oct 2010 19:26:20 GMT</pubDate>
  <title>True #1</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/ZrN9f2KGJmSpIZuqeGOg&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bd3054f2a/7269156_6fCig.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 21 Sep 2010 23:48:36 GMT</pubDate>
  <title>Se eu um dia for entrevistada pelo Daniel Oliveira, entre lágrimas e ranhoca, já tenho o TPC adiantado</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de encontrar  notas perdidas nos bolsos dos casacos de Inverno.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto do queijo que fica crocante por sair para fora do pão das tostas mistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de receber telefonemas de outros fusos horários. Mesmo que implique um “ah, em Lisboa são três da manhã?”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto que a  minha sobrinha ache que eu tenho cinco anos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de comida de avião.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de ver o sol nascer na varanda do Lux.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto da Ginjinha Sem Rival, mesmo com o chão a pegar à sola dos ténis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de conversar com o Senhor Do Adeus.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de comer Bolas de Berlim na praia, mas só quando tenho sal do mar nas mãos para o sabor contrastar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de ler um livro de um dia para o outro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto do som das janelas do Messenger.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto da árvore que tem as raízes a entrar-me quase pela casa adentro e que me avisa sempre das estações do ano.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto do cheiro do verniz das unhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de me lembrar de onde me comprei todos os meus livros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de mostrar Lisboa a quem não é de cá.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de sair para um café rápido mas acabar a só voltar para casa muitas horas depois.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de me espreguiçar, mesmo em público.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de acordar cedo. Desde que não seja com despertador. E também gosto de me deitar tarde. O que não combina nada bem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de entrar numa sala cinema à socapa, sem sequer saber que filme está lá dentro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de ver as flash interviews no final de um jogo. Mais do que gosto de ver o jogo propriamente dito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de plasticina.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de baterias. E de bateristas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de surpresas debaixo da porta.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 25 Aug 2010 21:41:54 GMT</pubDate>
  <title>Vira O Disco E Toca O Mesmo #8</title>
  <author>Miss November</author>
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  <pubDate>Wed, 25 Aug 2010 21:31:28 GMT</pubDate>
  <title>Então e Itália?</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/fS5IzeuuBfMCOjwEtFhp&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border-width: 0px;&quot; src=&quot;http://c8.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/b720453fc/7016287_H2ZPW.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; width=&quot;463&quot; height=&quot;331&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comida fabulosa. Homens desapontantes. Pés moídos. Cocomeros. Uscita. Vespas. Canais. Nódoas negras nos braços. Nódoas negras na conta bancária. Veneza grows on you. 52 euros por bolo de chocolate e capuccinos. Euro e trinta por um cone gigante de gelado. Em Roma fui pouco Romana. Festinha na aldeia com direito a acordeão. Mar feito caldo na costa adriática. Sorriso nos lábios. Certeza de regressar.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 25 Aug 2010 21:28:28 GMT</pubDate>
  <title>What´s on your mind?</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;Depois de aturado case study no Facebook, elaborei uma lista de razões pelas quais continuo solteira e boa rapariga:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;porque não gosto do Blower´s Daughter do Damien Rice.&lt;/p&gt;
&lt;div&gt;porque não cito Fernando Pessoa só porque sim.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não tenho um album de fotos de fotos chamado &quot;Momentos&quot; ou &quot;Me Myself And I&quot;, que encho de fotos dos meus pés.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque sou desastrada, respondona e asneirenta.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque faço piadas sobre o meu período.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque estou a ler o &quot;The Zombie Survival Guide&quot; e o &quot;Jarhead&quot; e não o &quot;Eat Pray Love&quot;.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque nunca joguei Farmville.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não reencaminho mails com powerpoints.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não faço uploads de fotos das minhas mamas a jogar às escondidas com decotes e biquinis.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque nunca vi o Dirty Dancing (mas sei o monólogo inicial do Trainspotting de cor).&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não entro na Loja Do Gato Preto há anos e prefiro decorar a casa na BD Mania.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não vou para a praia conversar com o mar e com as conchinhas.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque sou óbvia, não faço jogos and I don´t take crap.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque o mais próximo que tenho de &quot;ver a novela&quot; é acompanhar o True Blood religiosamente.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque nunca escrevo &quot;LOL&quot; (Hank Moody explica).&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque acho o John Stewart mais sexy que o Rodrigo Santoro.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque vejo porno.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não acredito em horóscopos, reencarnações, boas vibrações, maus karmas e previsões assim-assim.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque sei a letra do &quot;Fuck Her Gently&quot; dos Tenacious D.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque só fiz madeixas no cabelo uma vez e arrependi-me mortalmente.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não tenho nenhuma foto minha a preto e branco com o vento a dar-me na cara.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque nunca vi o &quot;Before Sunset&quot; ou o &quot;Before Sunrise&quot;. &lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque não sei fazer risco nos olhos.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;porque sou um cocktail explosivo de certezas absolutas e incertezas patológicas. E vivo bem com isso 99 por cento do tempo.&lt;/div&gt;
&lt;div&gt;&lt;/div&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 26 Jul 2010 00:45:35 GMT</pubDate>
  <title>Happy Go Lucky</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/Przn2qsk2GDTteykWuAM&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/b5a040543/6822053_z4Wta.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda não fui capaz de escrever dignamente sobre Dublin e já passou um mês. Sobre ter dois italianos a alimentar-me a pasta e vinho e jogos do Wii, sobre tentar convencer duas lésbicas da gay parade a virem-se casar a Portugal, sobre torcerem-me um braço por eu não querer dançar num concerto de uma banda de tributo aos U2 que inclui invasões de palco dementes, sobre como é má educação estar num pub sem uma pint de Guiness na mão, sobre como é complicado beber um Irish Coffee a escaldar no meio de um mosh, sobre ficar sentada na relva ao lado do Oscar Wilde, sobre como um ruivo sardento de Trinity College me lembrou de como quero voltar a estudar, sobre como é ver o Mundial em sports bars cheios de adeptos da equipa oposta,  sobre estar sentada à mesa com cinco ou seis nacionalidades diferentes. Não consigo muito bem escrever sobre a viagem à Irlanda porque o meu domínio do português não chega para explicar como aquilo tudo me fez bem e me arrumou o Tetris mental que por aqui andava disperso e em modo Game Over. É mais fácil escrever-se sobre estar triste do que sobre estar feliz. Na tristeza parece que o peso das palavras as faz rebolar com a lentidão necessária; na alegria, parece que tudo soa tolo e adolescente. A tristeza traz solidariedade;  a felicidade parece que ofende quem a ela está a assistir. Lidamos muito mal com a felicidade genuína dos outros, com a sensação de “eu gosto da minha vida como ela é”. E eu gosto. Muito. Só que andava meia esquecida. Lembrei-me algures em Temple Bar.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sat, 10 Jul 2010 13:47:46 GMT</pubDate>
  <title>Vira O Disco E Toca O Mesmo #7</title>
  <author>Miss November</author>
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  <pubDate>Sun, 04 Jul 2010 18:50:12 GMT</pubDate>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://2.bp.blogspot.com/_nahUbb9SfTk/SJhwGQ_GanI/AAAAAAAAAIU/CxxUn2kLP5M/s320/RL6.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;I give the fuck up.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 23 Jun 2010 20:43:03 GMT</pubDate>
  <title>Dublin.</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://28.media.tumblr.com/JBy6l1Bb3g1vwvmubGGDqXBGo1_500.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E a obsessão que eu tenho por este génio, caramba.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: x-small;&quot;&gt;(ando tão a mil que nem sei a que horas é o meu voo na sexta)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 22 Jun 2010 21:39:47 GMT</pubDate>
  <title>Lá porque acho a vírgula um sinal de pontuação muito jeitoso...</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://www.codart.nl/images/DouOldWomanReadingLectionaryCa1630RMA350.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fui uma adolescente intelectualmente algo arrogante. Não quer dizer que hoje esteja livre de ter alguns acessos, mas credo, a minha versão actual não teria problemas em dar umas chineladas no rabo na minha versão de há dez anos atrás. Uma das coisas que caracterizava esta minha soberba de neurónios era achar que tudo aquilo que eu não gostava de ler, ouvir ou ver merecia automaticamente a etiqueta de “mau”. Recordo-me de na faculdade ter uma lista de artistas pop que mandaria para uma ilha deserta para não chatearem ninguém. Poucos meses depois, arranjei emprego numa rádio mainstream – no fundo, fui trabalhar para a ilha. Ah, karma with a vengeance. E foi aí que comecei a ter de engolir o pedantismo feito sapinho e a aprender distinguir que há coisas que até são bem feitas – e eu é que, simplesmente, não gosto. Abriu-me a cabeça à tolerância cultural e a saber perceber que há, de facto, bons e maus produtos culturais em todo o espectro de vertentes (e não uso a palavra “produtos” com qualquer sentido pejorativo). Mas o que os torna potencialmente sofríveis não é o meu mero  gosto pessoal. Acho Tokyo Hotel mau, acho Paulo Coelho uma manobra de marketing fajuta, não me apanham a ver um filme baseado nas coisas do Nicholas Sparks. Mas isto são coisas que acho mesmo mal feitas, preguiçosas, formulaicas e até algo desonestas. Agora, não é por eu não gostar de Virgílio Ferreira, não ouvir um álbum do Manu Chao ou ter um ódio de estimação pelo David Lynch que vou deixar de reconhecer que há mérito artístico naquilo que fazem. Simplesmente, não é para mim – e, reza a lenda, eu não sou o centrinho do Universo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isto tudo me veio à memória por causa da morte do Saramago e das reacções no Facebook. Claramente, há dois lados da barricada: quem vem dizer que sempre o teve como escritor preferido e quem venha com o asco de “não vou dizer bem do gajo só porque morreu”. Eu tirando um livro infantil e uma peça de teatro, nunca li um livro do Saramago do início ao fim. Tentei, várias vezes. Gosto muito do imaginário e dos detalhes, não consigo gostar do estilo de escrita propriamente dito. Mas seria, no mínimo, infantil da minha parte vir mandar postas de pescada  sobre um autor que não domino assim tão bem. Quanto à pessoa, vi entrevistas com Saramago nas quais concordei com tudo, li outras nas quais não concordei com nada. Mas alguém que fala sem papas na língua sobre aquilo em que acredita merece, geralmente, o meu respeito – mesmo que não defenda o mesmo que eu. Que isto da liberdade de expressão é um assunto mais cheio de arestas do que parece à vista desarmada. E, independentemente disso, acho sem dúvidas que a obra é sempre maior que o Homem que lhe serviu de veículo. E o facto de eu não ter passado da página 20 do “Levantados do Chão” vai ser sempre acessório para o respeito que eu tenho pelo Saramago.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 22 Jun 2010 19:52:04 GMT</pubDate>
  <title>Vira O Disco E Toca O Mesmo #6</title>
  <author>Miss November</author>
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  <pubDate>Fri, 18 Jun 2010 11:34:13 GMT</pubDate>
  <title>Não percebo as raparigas que não gostam de futebol.</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/f4vhdsLnYnRBYiH9huL2&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bd0046c61/6601047_iLslb.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Iker Casillas, guarda redes e capitão da selecção espanhola, numa campanha da Reebok.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 16 Jun 2010 09:26:54 GMT</pubDate>
  <title>Check.</title>
  <author>Miss November</author>
  <link>http://ceudaboca.blogs.sapo.pt/6465.html</link>
  <description>&lt;p&gt; &lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/71HF2tkUmhil4smIu4aN&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c7.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/be804210c/6589506_eZNkp.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já estive na França, na Suíça e na Alemanha ao mesmo tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já salvei uma pessoa de levar porrada de um gang.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já me meti num avião e atravessei meia Europa por causa de um rapaz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já deixei desconhecidos dormirem em minha casa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já escondi dos meus pais que tenho uma rubrica sobre pornografia. E também já lhes contei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já comprei um bilhete de cinema para um filme ao calhas só para poder ir para dentro da sala chorar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já percebi que tenho a sorte de ter pessoas que me cumprimentam sempre com abraços apertados.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fumei paus de canela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fiz xixi no chuveiro do ginásio.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui ao cinema com o Senhor do Adeus. Várias vezes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já ensinei um indiano e um americano a dizer “porque é que não cortas a tua mãe às postas e fazes arroz de puta?”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já ensinei um holandês a dizer “esporra”. Volta e meia, ele ainda escreve “beijinhos e esporra” na minha wall do Facebook.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já vi o sol nascer na varanda do Lux. Várias vezes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui dar uma aula bêbada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já ensinei um belga a cantar o “Amor de Água Fresca”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já tive uma rapariga a perguntar-me se queria ir para a cama com ela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já dei autógrafos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já gravei cenas para um videoclip na prisão de Alcatraz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já apanhei boleia de desconhecidos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fotografei papparazzi.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já dormi numa casa onde a porta estava sempre aberta, para os amigos entrarem e saírem mesmo que o dono da moradia não estivesse lá (o que originou um encontro imediato, comigo em pijama, com um tipo que só lá tinha ido &quot;cagar e usar a internet&quot;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já comprei um quadro a um maluco em Venice Beach que exigiu ser ele a escolher a obra de arte que eu iria levar para casa (e não se discute com um tipo que enceta uma conversa com um &quot;olá, eu sou psicótico&quot;).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já vi um grupo de cinco gajos a fazerem uma enorme vagina em areia em Muscle Beach.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fiquei sem palavras quando 30 amigos se juntaram para me oferecer uma Wii.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já adormeci a minha sobrinha a cantar-lhe o YMCA dos Village People.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já vi cactos e pés gigantes por ter uma moca de space cake em Amesterdão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já ganhei dinheiro num casino de Las Vegas. Para o perder logo de seguida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já escrevi um sketch que se tornou viral no Youtube.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fugi de um tiroteio em São Francisco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fiz o teste da igreja cientologista em Los Angeles.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já tive um one night stand com uma pessoa que não voltei a ver.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui expulsa do Jardim Zoológico por estar a fazer badalhoquices.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui para o Marquês celebrar o Benfica Campeão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui um erro de racord num filme famoso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já gastei dinheiro a comprar um sabre de luz.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já vi um concerto dos Rolling Stones em cima do palco.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fiz directas para acabar de ler livros que não conseguia pousar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui para a porta da NBC de madrugada só para ver o Conan o´Brien.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui a chucha da Maggie Simpson. Num simulador da Universal Studios.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui mencionada directamente numa letra de uma música.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já vomitei de um quarto andar directamente para cima do carro de uma amiga minha. O carro ficou tipo quadro do Pollock.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já mandei um par de cuecas com badalhoquices lá escritas para a Índia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já assisti ao vivo ao Clube Amigos Disney.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já chamei incompetente a um dos meus chefes na cara dele.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui despedida por Voice Mail (não pelo chefe acima mencionado).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já desenvolvi um fetiche sexual com pescadores noruegueses em plena cidade de Bergen.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fui abandonada no meio de uma autoestrada em Marrocos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já dei um copo com as minhas fezes a uma pessoa que me estava a irritar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já me deitei no chão do Louvre, na sala da Mona Lisa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já acendi uma fogueira com o meu gás intestinal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já fiz sexo no Castelo dos Mouros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já trabalhei ilegalmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já invadi o palco do Coliseu de Lisboa para dançar com o José Cid.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já bebi copos de vodka pura sem gelo de penalti para ganhar apostas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já estive numa floresta em chamas (e não, não está ligado com a parte do gás).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já passei uma reunião de trabalho a trocar SMS altamente impróprios com alguém que estava sentado a meu lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já roubei peças de carros durante a noite.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já estive nos bastidores de todos os principais teatros de Lisboa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Eu já me apaixonei por um tipo que nunca vi.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já fugi de uma loja de tatuagens por ser mariquinhas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já gastei o meu orçamento de prendas de Natal a comprar action figures raras para mim (uns Gorillaz liiiiindos).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já comi iogurtes três meses fora do prazo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já entrei em directo na rádio dez segundos depois de acordar. Várias vezes.&lt;br /&gt;Eu já passei três dias seguidos em pijama a ver o Lost.&lt;br /&gt;Eu já tive uma arma apontada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já mostrei o rabo a uma pessoa que me estava a chatear. Ok, mais que uma.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já me demiti do mesmo emprego duas vezes.&lt;br /&gt;Eu já estive num spa de luxo em Tóquio. Onde uma idosa me quis ensinar como me masturbar num jacuzzi.&lt;br /&gt;Eu já entrei no cinema à socapa sem pagar.&lt;br /&gt;Eu já escrevi posts que não eram mais do que recados camuflados.&lt;br /&gt;Eu já fiz de tradutora para os Scorpions.&lt;br /&gt;Eu já persegui o Tom Yorke quando ele estava a tentar ir à casa-de-banho.&lt;br /&gt;Eu já tive a minha mão lida por uma bruxa.&lt;br /&gt;Eu já adormeci durante um espectáculo da Broadway.&lt;br /&gt;Eu já abracei desconhecidos no meio da rua.&lt;br /&gt;Eu já conquistei um namorado oferecendo-lhe garfos gamados da cantina da escola.&lt;br /&gt;Eu já fiz parapente num morro do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;Eu já entrei em contas de e-mail que não eram minhas.&lt;br /&gt;Eu já tive um taxista a pedir-me em casamento.&lt;br /&gt;Eu já morei numa casa sem tecto.&lt;br /&gt;Eu já vi um concerto no Algarve num dia e um em Paredes de Coura no dia seguinte.&lt;br /&gt;Eu já bati num assaltante. &lt;br /&gt;Eu já tive um romance em segredo. Tão segredo que não temos uma única foto juntos.&lt;br /&gt;Eu já vi, ao vivo e a cores e a curta distância, a pila de um dos tipos do Jackass.&lt;br /&gt;Eu já tive a PSP a arrombar-me a casa.&lt;br /&gt;Eu já partilhei o almoço em Central Park com um senhor que disse que se chamava James Brown e que me assegurou que ia ser sempre o meu anjo da guarda.&lt;br /&gt;Eu já tive um namorado a despir-se no meio da rua para me poder oferecer os boxers que tinha vestidos.&lt;br /&gt;Eu já tentei fumar um charuto, apenas para acabar com a beata na boca.&lt;br /&gt;Eu já passei fome em cidades estrangeiras para poder comprar DVDs.&lt;br /&gt;Eu já estive numa catedral a ouvir um coro enquanto me batia uma moca de space cake.&lt;br /&gt;Eu já tive um Monty Python a beijar-me a mão.&lt;br /&gt;Eu já tive conversas de MSN que nunca poderão ser divulgadas. Mas que estão guardadas.&lt;br /&gt;Eu já tive um mafioso a tentar pagar-me uma bebida em Chicago.&lt;br /&gt;Eu já escrevi um livro para outra pessoa assinar como autora.&lt;br /&gt;Eu já tive a minha afilhada de dez anos a pedir-me para me mudar para casa dela.&lt;br /&gt;Eu já passei a noite num moinho abandonado.&lt;br /&gt;Eu já consegui ter uma quase-conversa em japonês.&lt;br /&gt;Eu já tive um espanhol bissexual a explicar-me como se faz um bom falácio.&lt;br /&gt;Eu já comprei roupa interior nova só porque tinha toda a outra para lavar.&lt;br /&gt;Eu já andei de carro de polícia.&lt;br /&gt;Eu já fui expulsa de um karaoke.&lt;br /&gt;Eu já fui perseguida por veados.&lt;br /&gt;Eu já desmarquei reuniões de trabalho para ir ter com a pessoa de quem gostava.&lt;br /&gt;Eu já dei um pontapé na cadeira de um professor para o fazer cair.&lt;br /&gt;Eu já levei uma pessoa a gastar 50 Euros de telemóvel por semana durante dois meses.&lt;br /&gt;Eu já ouvi músicas das quais não admito gostar em repeat.&lt;br /&gt;Eu já dancei em cima de uma mesa num casamento.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 06 Jun 2010 21:25:07 GMT</pubDate>
  <title>Vira O Disco E Toca O Mesmo #5</title>
  <author>Miss November</author>
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  <pubDate>Sun, 06 Jun 2010 20:50:25 GMT</pubDate>
  <title>Mira técnica</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://paulstallard.files.wordpress.com/2009/01/old_tv.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Cresci ao contrário daquilo que qualquer livro de pedagogia possa aconselhar: em frente a um televisor. Sempre passei muitas horas sozinha em casa e sempre fui uma criança molengona que fingia dores de barriga para não ter de ir aprender a andar de bicicleta - algo que, aliás, até hoje não sei fazer. Os meus amigos imaginários eram personagens de TV, a minha primeira paixão foi o Michael J. Fox (cortesia hormonal do “Quem Sai Aos Seus”), decidi aos nove anos que queria ser jornalista por causa da “Murphy Brown”, ganhava aos meus primos muito mais velhos no Trivial Pursuit à pala de cultura geral que tinha ganho nos Simpsons, brincava à apanhada numa versão chamada “Tu És O Basílio Horta” por ver diariamente telejornais com o meu pai. Acho que durante esta obsessão por televisão (ver 14 horas seguidas era habitual) a minha mãe temeu de tudo, desde que eu ficasse de vez com as costas desfeitas pelas posições tortas no sofá até que me tornasse uma amorfa anti-social. Nenhuma destas se tornou verdade . Mais: se não fossem todas aquelas horas de íris rectangular, dificilmente teria o muy jeitoso emprego que tenho hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os hábitos para com a televisão mudaram. E não falo só de mim. Já não é preciso alapar as nádegas num maple à hora certa para acompanhar aquela série que chega cá dois anos depois de ter estreado do outro lado do oceano.  O Festival da Eurovisão já não tem grande interesse, a não ser que o estejamos a ver com um grupo alcoolicamente alterado (fala a experiencia, apesar de não estar totalmente auxiliada pela sua colega memória). E o ecrã de televisão tornou-se na versão velhinha e chata do ecrã de computador.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A isto tudo, acrescente-se que também me aconteceu a vida.&lt;em&gt; As in&lt;/em&gt; “passei a ter uma”. E por mais que goste de uma boa ficção e por mais que me encante com personagens, já nunca mais voltaram a tomar o lugar dos acontecimentos e das pessoas que tenho a sorte de ir tendo no meu guião diário, apesar de alguns plot points que deixariam o Robert Mckee(*) a guinchar impropérios. Não estou com isto a renegar a caixinha que já me fez (e faz) rir e chorar e tomar decisões. É  um ciclo vicioso: a televisão preparou-me para a vida; agora a vida possibilita-me compreender com mais plenitude o que se passa na televisão. Mas entre uma ou outra, nem hesito.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esta última escolha parece-me óbvia que dói, mas não é sempre assim com toda a gente. Aliás, lembrei-me de tudo isto porque recentemente provei daquele que, há uns anos (talvez não assim tantos), seria o meu próprio veneno. Um amigo que quase se orgulha de preferir personagens a amigos, episódios a vivências. Diz-me que eu não percebo. Se calhar, até percebo bem demais. E por isso é que mói. Porque, há uns anos, eu talvez também estivesse mais ralada com o final do Lost do que com alguém próximo. É mais ou menos a mesma sensação que olhar para as marcas de pneu queimado à beira de um precipício e saber que se travou a tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E, já agora, não me contem como é que acaba o Lost. Ainda só vou na quarta temporada. Não ando com muito tempo para ver televisão.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(*) = guru do guionismo. Mesmo.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 26 May 2010 13:41:05 GMT</pubDate>
  <title>Vira O Disco E Toca O Mesmo #4</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;
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  <pubDate>Wed, 19 May 2010 15:33:10 GMT</pubDate>
  <title>Who You Gonna Call?</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;O porquê de eu gostar tanto de Nova Iorque que chega a roçar o ridículo (e eu sou fenomenal a ser ridícula) terá que ficar para outro post. Hoje só aqui quis deixar este vídeo dos &lt;a href=&quot;http://improveverywhere.com/&quot;&gt;Improv Everywhere&lt;/a&gt;, filmado em plena biblioteca de NY. Na primeira vez que meti os pés em Manhattan, o autocarro de Newark deixou-me exactamente à porta deste mítico sítio. Lembro-me de olhar para os leões da entrada, reconhecer o cenário dos &lt;em&gt;Ghostbusters&lt;/em&gt;, sentir uma alegria perfeitamente infantil e citar na minha cabeça um outro filme: &quot;Toto, I&apos;ve a feeling we&apos;re not in Kansas any more&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
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&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 18 May 2010 15:57:05 GMT</pubDate>
  <title>Bomba. Mas de asma.</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/uNW2R18ScVNZyEuEaUOz&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/b8a0289e7/6400452_IKIuf.gif&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma das primeiras amigas que tive quando entrei para a escola primária era a Lena. “Leninha”, como todos os adultos lhe chamavam. A Leninha era filha única de uma professora lá do colégio. Foi criada num manto de protecção tão envolvente que acredito que se tenha tornado claustrofóbico – ao ponto de, anos mais tarde (quando o “inha” já não fazia sentido no nome) ter entrado em confronto com os pais. Mas quando tínhamos seis anos todas aquelas carradas de mimo pareciam ainda aceitáveis e até desejáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Leninha sofria, desde sempre, de asma. Foi a primeira pessoa que conheci com a doença. Uma das coisas que potenciava os ataques era o choro. Daí todos termos instruções muito precisas e inflexíveis: não se pode fazer a Leninha chorar. Não se pode contrariar, responder ou provocar. Não se pode dizer que se quer brincar com o mesmo Pequeno Pónei que ela, não se pode repreender por estar a puxar-nos o cabelo, não se pode dar uma resposta torta. Porque o resultado era, inevitavelmente, choradeira e consequente ataque de asma. E isso era uma coisa horrível, passível de nos pôr de castigo. Lembro-me que durante muitos anos, sempre que conhecia alguém com asma, estranhava como podia ter uma vida normal. Tinha ainda o papão de que era a doença mais incapacitante que existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ultimamente, a imagem da Leninha tem-me vindo várias vezes à cabeça. Porque em pessoas que me são muito próximas paira semelhante bigorna: eu não posso responder ou confrontar, porque nunca se sabe se não vão ter uma reacção má. Deixa estar, não ligues, é mesmo assim, não digas nada que é pior. Pode haver um ataque de cólera, uma zanga, uma berraria, uma depressão ou um incómodo muito grande que só uma criatura sem sentimentos ou sem juízo poderia causar. Asma de espírito, é o que é.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Texto originalmente escrito em Maio de 2008 para o meu anterior blog. E continua a ser tão verdade, caramba.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 17 May 2010 18:43:30 GMT</pubDate>
  <title>Tirar o código</title>
  <author>Miss November</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;a class=&quot;saportelink&quot; href=&quot;http://fotos.sapo.pt/NpY7tzWizn0WF9FW5Sp5&quot;&gt;&lt;img style=&quot;border: 0 none;&quot; src=&quot;http://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/bcd04896e/6394302_ZubpU.jpeg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Via &lt;a href=&quot;http://oddlyspecific.com/&quot;&gt;Oddly Specific&lt;/a&gt;, um dos meus vícios diários.&lt;/p&gt;</description>
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