The cure for boredom is curiosity. There is no cure for curiosity.

23
Jun 10

E a obsessão que eu tenho por este génio, caramba.

 

(ando tão a mil que nem sei a que horas é o meu voo na sexta)

publicado por Miss November às 21:43

22
Jun 10

Fui uma adolescente intelectualmente algo arrogante. Não quer dizer que hoje esteja livre de ter alguns acessos, mas credo, a minha versão actual não teria problemas em dar umas chineladas no rabo na minha versão de há dez anos atrás. Uma das coisas que caracterizava esta minha soberba de neurónios era achar que tudo aquilo que eu não gostava de ler, ouvir ou ver merecia automaticamente a etiqueta de “mau”. Recordo-me de na faculdade ter uma lista de artistas pop que mandaria para uma ilha deserta para não chatearem ninguém. Poucos meses depois, arranjei emprego numa rádio mainstream – no fundo, fui trabalhar para a ilha. Ah, karma with a vengeance. E foi aí que comecei a ter de engolir o pedantismo feito sapinho e a aprender distinguir que há coisas que até são bem feitas – e eu é que, simplesmente, não gosto. Abriu-me a cabeça à tolerância cultural e a saber perceber que há, de facto, bons e maus produtos culturais em todo o espectro de vertentes (e não uso a palavra “produtos” com qualquer sentido pejorativo). Mas o que os torna potencialmente sofríveis não é o meu mero  gosto pessoal. Acho Tokyo Hotel mau, acho Paulo Coelho uma manobra de marketing fajuta, não me apanham a ver um filme baseado nas coisas do Nicholas Sparks. Mas isto são coisas que acho mesmo mal feitas, preguiçosas, formulaicas e até algo desonestas. Agora, não é por eu não gostar de Virgílio Ferreira, não ouvir um álbum do Manu Chao ou ter um ódio de estimação pelo David Lynch que vou deixar de reconhecer que há mérito artístico naquilo que fazem. Simplesmente, não é para mim – e, reza a lenda, eu não sou o centrinho do Universo.

 

Isto tudo me veio à memória por causa da morte do Saramago e das reacções no Facebook. Claramente, há dois lados da barricada: quem vem dizer que sempre o teve como escritor preferido e quem venha com o asco de “não vou dizer bem do gajo só porque morreu”. Eu tirando um livro infantil e uma peça de teatro, nunca li um livro do Saramago do início ao fim. Tentei, várias vezes. Gosto muito do imaginário e dos detalhes, não consigo gostar do estilo de escrita propriamente dito. Mas seria, no mínimo, infantil da minha parte vir mandar postas de pescada  sobre um autor que não domino assim tão bem. Quanto à pessoa, vi entrevistas com Saramago nas quais concordei com tudo, li outras nas quais não concordei com nada. Mas alguém que fala sem papas na língua sobre aquilo em que acredita merece, geralmente, o meu respeito – mesmo que não defenda o mesmo que eu. Que isto da liberdade de expressão é um assunto mais cheio de arestas do que parece à vista desarmada. E, independentemente disso, acho sem dúvidas que a obra é sempre maior que o Homem que lhe serviu de veículo. E o facto de eu não ter passado da página 20 do “Levantados do Chão” vai ser sempre acessório para o respeito que eu tenho pelo Saramago.

publicado por Miss November às 22:39

publicado por Miss November às 20:52

18
Jun 10

 

Iker Casillas, guarda redes e capitão da selecção espanhola, numa campanha da Reebok.

publicado por Miss November às 12:34

16
Jun 10

 

Eu já estive na França, na Suíça e na Alemanha ao mesmo tempo.

Eu já salvei uma pessoa de levar porrada de um gang.

Eu já me meti num avião e atravessei meia Europa por causa de um rapaz.

Eu já deixei desconhecidos dormirem em minha casa.

Eu já escondi dos meus pais que tenho uma rubrica sobre pornografia. E também já lhes contei.

Eu já comprei um bilhete de cinema para um filme ao calhas só para poder ir para dentro da sala chorar.

Eu já percebi que tenho a sorte de ter pessoas que me cumprimentam sempre com abraços apertados.

Eu já fumei paus de canela.

Eu já fiz xixi no chuveiro do ginásio.

Eu já fui ao cinema com o Senhor do Adeus. Várias vezes.

Eu já ensinei um indiano e um americano a dizer “porque é que não cortas a tua mãe às postas e fazes arroz de puta?”.

Eu já ensinei um holandês a dizer “esporra”. Volta e meia, ele ainda escreve “beijinhos e esporra” na minha wall do Facebook.

Eu já vi o sol nascer na varanda do Lux. Várias vezes.

Eu já fui dar uma aula bêbada.

Eu já ensinei um belga a cantar o “Amor de Água Fresca”.

Eu já tive uma rapariga a perguntar-me se queria ir para a cama com ela.

Eu já dei autógrafos.

Eu já gravei cenas para um videoclip na prisão de Alcatraz.

Eu já apanhei boleia de desconhecidos.

Eu já fotografei papparazzi.

 

Eu já dormi numa casa onde a porta estava sempre aberta, para os amigos entrarem e saírem mesmo que o dono da moradia não estivesse lá (o que originou um encontro imediato, comigo em pijama, com um tipo que só lá tinha ido "cagar e usar a internet").


Eu já comprei um quadro a um maluco em Venice Beach que exigiu ser ele a escolher a obra de arte que eu iria levar para casa (e não se discute com um tipo que enceta uma conversa com um "olá, eu sou psicótico").


Eu já vi um grupo de cinco gajos a fazerem uma enorme vagina em areia em Muscle Beach.

Eu já fiquei sem palavras quando 30 amigos se juntaram para me oferecer uma Wii.

Eu já adormeci a minha sobrinha a cantar-lhe o YMCA dos Village People.

Eu já vi cactos e pés gigantes por ter uma moca de space cake em Amesterdão.

Eu já ganhei dinheiro num casino de Las Vegas. Para o perder logo de seguida.

Eu já escrevi um sketch que se tornou viral no Youtube.

Eu já fugi de um tiroteio em São Francisco.

Eu já fiz o teste da igreja cientologista em Los Angeles.

Eu já tive um one night stand com uma pessoa que não voltei a ver.

Eu já fui expulsa do Jardim Zoológico por estar a fazer badalhoquices.

Eu já fui para o Marquês celebrar o Benfica Campeão.

Eu já fui um erro de racord num filme famoso.

Eu já gastei dinheiro a comprar um sabre de luz.

Eu já vi um concerto dos Rolling Stones em cima do palco.

Eu já fiz directas para acabar de ler livros que não conseguia pousar.

Eu já fui para a porta da NBC de madrugada só para ver o Conan o´Brien.

Eu já fui a chucha da Maggie Simpson. Num simulador da Universal Studios.

Eu já fui mencionada directamente numa letra de uma música.

Eu já vomitei de um quarto andar directamente para cima do carro de uma amiga minha. O carro ficou tipo quadro do Pollock.

Eu já mandei um par de cuecas com badalhoquices lá escritas para a Índia.

Eu já assisti ao vivo ao Clube Amigos Disney.

Eu já chamei incompetente a um dos meus chefes na cara dele.

Eu já fui despedida por Voice Mail (não pelo chefe acima mencionado).

Eu já desenvolvi um fetiche sexual com pescadores noruegueses em plena cidade de Bergen.

Eu já fui abandonada no meio de uma autoestrada em Marrocos.

Eu já dei um copo com as minhas fezes a uma pessoa que me estava a irritar.

Eu já me deitei no chão do Louvre, na sala da Mona Lisa.


Eu já acendi uma fogueira com o meu gás intestinal.


Eu já fiz sexo no Castelo dos Mouros.


Eu já trabalhei ilegalmente.

 

Eu já invadi o palco do Coliseu de Lisboa para dançar com o José Cid.


Eu já bebi copos de vodka pura sem gelo de penalti para ganhar apostas.


Eu já estive numa floresta em chamas (e não, não está ligado com a parte do gás).


Eu já passei uma reunião de trabalho a trocar SMS altamente impróprios com alguém que estava sentado a meu lado.


Eu já roubei peças de carros durante a noite.


Eu já estive nos bastidores de todos os principais teatros de Lisboa.


Eu já me apaixonei por um tipo que nunca vi.

Eu já fugi de uma loja de tatuagens por ser mariquinhas.

Eu já gastei o meu orçamento de prendas de Natal a comprar action figures raras para mim (uns Gorillaz liiiiindos).

Eu já comi iogurtes três meses fora do prazo.

Eu já entrei em directo na rádio dez segundos depois de acordar. Várias vezes.
Eu já passei três dias seguidos em pijama a ver o Lost.
Eu já tive uma arma apontada.

Eu já mostrei o rabo a uma pessoa que me estava a chatear. Ok, mais que uma.

Eu já me demiti do mesmo emprego duas vezes.
Eu já estive num spa de luxo em Tóquio. Onde uma idosa me quis ensinar como me masturbar num jacuzzi.
Eu já entrei no cinema à socapa sem pagar.
Eu já escrevi posts que não eram mais do que recados camuflados.
Eu já fiz de tradutora para os Scorpions.
Eu já persegui o Tom Yorke quando ele estava a tentar ir à casa-de-banho.
Eu já tive a minha mão lida por uma bruxa.
Eu já adormeci durante um espectáculo da Broadway.
Eu já abracei desconhecidos no meio da rua.
Eu já conquistei um namorado oferecendo-lhe garfos gamados da cantina da escola.
Eu já fiz parapente num morro do Rio de Janeiro.
Eu já entrei em contas de e-mail que não eram minhas.
Eu já tive um taxista a pedir-me em casamento.
Eu já morei numa casa sem tecto.
Eu já vi um concerto no Algarve num dia e um em Paredes de Coura no dia seguinte.
Eu já bati num assaltante.
Eu já tive um romance em segredo. Tão segredo que não temos uma única foto juntos.
Eu já vi, ao vivo e a cores e a curta distância, a pila de um dos tipos do Jackass.
Eu já tive a PSP a arrombar-me a casa.
Eu já partilhei o almoço em Central Park com um senhor que disse que se chamava James Brown e que me assegurou que ia ser sempre o meu anjo da guarda.
Eu já tive um namorado a despir-se no meio da rua para me poder oferecer os boxers que tinha vestidos.
Eu já tentei fumar um charuto, apenas para acabar com a beata na boca.
Eu já passei fome em cidades estrangeiras para poder comprar DVDs.
Eu já estive numa catedral a ouvir um coro enquanto me batia uma moca de space cake.
Eu já tive um Monty Python a beijar-me a mão.
Eu já tive conversas de MSN que nunca poderão ser divulgadas. Mas que estão guardadas.
Eu já tive um mafioso a tentar pagar-me uma bebida em Chicago.
Eu já escrevi um livro para outra pessoa assinar como autora.
Eu já tive a minha afilhada de dez anos a pedir-me para me mudar para casa dela.
Eu já passei a noite num moinho abandonado.
Eu já consegui ter uma quase-conversa em japonês.
Eu já tive um espanhol bissexual a explicar-me como se faz um bom falácio.
Eu já comprei roupa interior nova só porque tinha toda a outra para lavar.
Eu já andei de carro de polícia.
Eu já fui expulsa de um karaoke.
Eu já fui perseguida por veados.
Eu já desmarquei reuniões de trabalho para ir ter com a pessoa de quem gostava.
Eu já dei um pontapé na cadeira de um professor para o fazer cair.
Eu já levei uma pessoa a gastar 50 Euros de telemóvel por semana durante dois meses.
Eu já ouvi músicas das quais não admito gostar em repeat.
Eu já dancei em cima de uma mesa num casamento.

publicado por Miss November às 10:26

06
Jun 10
publicado por Miss November às 22:25

Cresci ao contrário daquilo que qualquer livro de pedagogia possa aconselhar: em frente a um televisor. Sempre passei muitas horas sozinha em casa e sempre fui uma criança molengona que fingia dores de barriga para não ter de ir aprender a andar de bicicleta - algo que, aliás, até hoje não sei fazer. Os meus amigos imaginários eram personagens de TV, a minha primeira paixão foi o Michael J. Fox (cortesia hormonal do “Quem Sai Aos Seus”), decidi aos nove anos que queria ser jornalista por causa da “Murphy Brown”, ganhava aos meus primos muito mais velhos no Trivial Pursuit à pala de cultura geral que tinha ganho nos Simpsons, brincava à apanhada numa versão chamada “Tu És O Basílio Horta” por ver diariamente telejornais com o meu pai. Acho que durante esta obsessão por televisão (ver 14 horas seguidas era habitual) a minha mãe temeu de tudo, desde que eu ficasse de vez com as costas desfeitas pelas posições tortas no sofá até que me tornasse uma amorfa anti-social. Nenhuma destas se tornou verdade . Mais: se não fossem todas aquelas horas de íris rectangular, dificilmente teria o muy jeitoso emprego que tenho hoje.

Os hábitos para com a televisão mudaram. E não falo só de mim. Já não é preciso alapar as nádegas num maple à hora certa para acompanhar aquela série que chega cá dois anos depois de ter estreado do outro lado do oceano.  O Festival da Eurovisão já não tem grande interesse, a não ser que o estejamos a ver com um grupo alcoolicamente alterado (fala a experiencia, apesar de não estar totalmente auxiliada pela sua colega memória). E o ecrã de televisão tornou-se na versão velhinha e chata do ecrã de computador.

A isto tudo, acrescente-se que também me aconteceu a vida. As in “passei a ter uma”. E por mais que goste de uma boa ficção e por mais que me encante com personagens, já nunca mais voltaram a tomar o lugar dos acontecimentos e das pessoas que tenho a sorte de ir tendo no meu guião diário, apesar de alguns plot points que deixariam o Robert Mckee(*) a guinchar impropérios. Não estou com isto a renegar a caixinha que já me fez (e faz) rir e chorar e tomar decisões. É  um ciclo vicioso: a televisão preparou-me para a vida; agora a vida possibilita-me compreender com mais plenitude o que se passa na televisão. Mas entre uma ou outra, nem hesito.

Esta última escolha parece-me óbvia que dói, mas não é sempre assim com toda a gente. Aliás, lembrei-me de tudo isto porque recentemente provei daquele que, há uns anos (talvez não assim tantos), seria o meu próprio veneno. Um amigo que quase se orgulha de preferir personagens a amigos, episódios a vivências. Diz-me que eu não percebo. Se calhar, até percebo bem demais. E por isso é que mói. Porque, há uns anos, eu talvez também estivesse mais ralada com o final do Lost do que com alguém próximo. É mais ou menos a mesma sensação que olhar para as marcas de pneu queimado à beira de um precipício e saber que se travou a tempo.

E, já agora, não me contem como é que acaba o Lost. Ainda só vou na quarta temporada. Não ando com muito tempo para ver televisão.

 

 

(*) = guru do guionismo. Mesmo.

publicado por Miss November às 21:50

Junho 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
17
19

20
21
24
25
26

27
28
29
30


subscrever feeds
mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

5 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

blogs SAPO